Mulheres dialogam para influenciar reformas que reflictam as suas necessidades e demandas

“As caras e as vozes das mulheres contam no diálogo nacional inclusivo”. O lema não poderia ser mais mobilizador e instrutivo. E foi assim que centenas de mulheres juntaram-se na Cidade de Maputo e nas capitais das 10 províncias para discutir e propor recomendações de reformas que reflictam as suas experiências e demandas. Na sua diversidade.

Como bem colocou a Presidente do Conselho de Direcção do CESC, a diversidade de opiniões e de propostas de soluções não deve ser vista como uma ameaça. “É uma oportunidade para uma maior compreensão entre nós e uma busca de consensos sobre aquilo que nos pode permitir alcançar um caminho seguro para uma paz duradoura e uma sociedade de justiça social”, disse Fernanda Teixeira, Presidente do CESC, na abertura do Evento Nacional Simultâneo de Auscultação das Mulheres no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo, realizado na última quinta-feira (05 de Fevereiro).

Fernanda Teixeira, Presidente do CD do CESC.

A realização do evento simultâneo em todas as províncias visava assegurar o amplo envolvimento das mulheres e garantir que as análises, prioridades e recomendações das mulheres sejam ouvidas e levadas em consideração nas reformas a serem operadas no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo. Na verdade, a grande expectativa é que as reformas nível da Constituição da República, do Governo, da lei eleitoral, do sistema de justiça, da administração pública, da legislação fiscal, da defesa e segurança devem reflectir a vontade de todas e de todos os moçambicanos.

As diversas contribuições apresentadas durante os debates de temas como recursos naturais, sistema de justiça, segurança, defesa, reconciliação e unidade nacional, economia e inclusão de mulheres serão sistematizadas em documentos de posição e relatórios de subsídios a serem submetidos ao COTE. Por isso, Fernanda Teixeira lançou um apelo às mulheres para transformarem o diálogo em um movimento poderoso que influenciará as reformas e garantirá que as suas necessidades sejam incorporadas nas decisões que afectam as suas vidas.

“Pela primeira vez na história de Moçambique, o diálogo político ultrapassa a bipolaridade FRELIMO-RENAMO. Este diálogo é um compromisso entre os moçambicanos, um espaço privilegiado e histórico onde os moçambicanos se reencontram para os ultrapassar os seus diferendos e desenvolver Moçambique”, reconheceu Alberto Ferreira, Vice-Presidente da Comissão Técnica do Diálogo Nacional Inclusivo (COTE).

“É com grande orgulho que compartilho que o CESC, através do programa ALIADAS e com o apoio do Governo do Canadá, tem apoiado mais de 60 colectivos de mulheres desde 2019 e que, nesta nova fase do programa que teve início em 2025, está a ter esta oportunidade única de facilitar a participação efectiva das mulheres no Diálogo Nacional Inclusivo”, Fernanda Teixeira, Presidente do CESC.

O Evento Simultâneo Nacional de Auscultação das Mulheres no âmbito do Diálogo Nacional Inclusivo foi concebido e co-coordenado pelo CESC, MASC, ONU Mulheres, Fórum Mulher, Oxfam, CIP, FDC, ROSC, AMMD, AMJUIZA e LAMBDA, em parceria com redes e organizações de mulheres a nível provincial, nomeadamente NAFET, FAFI, MUCHEFA, FOFEN, OPHENTA, LEMUSICA, GMPIS, PROMURA e NAFEZA, e em estreita coordenação com a COTE.

Em representação da ONU Mulheres, Nilza Zibane Ribeiro lembrou que o evento acontece num contexto particularmente desafiante para Moçambique: O conflito armado em Cabo Delgado, as cheias e inundações no sul e centro do país, o feminicídio e os impactos da violência pós-eleitoral continuam a afectar de forma desproporcional as mulheres e raparigas, agravando a sua vulnerabilidade. Por isso, o apelo da ONU Mulheres é que “as contribuições das mulheres sejam genuína e intencionalmente consideradas na tomada de decisões sobre as reformas”.

Em representação da ONU Mulheres, Nilza Zibane Ribeiro lembrou que o evento acontece num contexto particularmente desafiante para Moçambique: O conflito armado em Cabo Delgado, as cheias e inundações no sul e centro do país, o feminicídio e os impactos da violência pós-eleitoral continuam a afectar de forma desproporcional as mulheres e raparigas, agravando a sua vulnerabilidade. Por isso, o apelo da ONU Mulheres é que “as contribuições das mulheres sejam genuína e intencionalmente consideradas na tomada de decisões sobre as reformas”.

Nilza Zibane Ribeiro, ONU Mulheres.

Já a Presidente do Fórum Mulher, Rafa Machava, defendeu que a paz só é possível quando se escutam todas as memórias. “Quando as mulheres falam, não é apenas o som que se ouve. É um futuro que se anuncia. Que as vozes das mulheres sejam sempre parte da construção da nação moçambicana”, apelou.

Rafa Machava, Presidente do CD do Fórum Mulher.

Em Lichinga, o evento contou com a honrosa presença da Governadora da Província do Niassa. Elina Massengele reafirmou o compromisso de inclusão das mulheres nos processos de tomada de decisões para garantir a equidade e paridade, “condição necessária para o desenvolvimento da nossa província do Niassa”.

Elina Massengele, Gorvenadora de Província de Niassa.
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